Até daqui a dez dias, Até daqui a dez dias, Cuide-me da Marta, pai, Cuidarei, sim, vai descansado, olha que não lhe queres mais do que eu, Se é mais ou se é menos não sei, quero-lhe da outra maneira, Marçal, Diga, Dá-me um abraço, por favor. Quando Marçal saiu da furgoneta levava os olhos húmidos. Cipriano Algor não deu nenhum murro na cabeça, só disse para si mesmo com um meio sorriso triste, A isto pode chegar um homem, ver-se a implorar um abraço como uma criança carecida de amor.
Autore: José Saramago